A bebida dos Guerreiros Vikings pode ajudar a combater doenças?

A bebida dos Guerreiros Vikings pode ajudar a combater doenças?

O futuro “pós-antibiótico” parece aterrorizante, mas aqui está uma coisa que você não imaginava: beber hidromel para manter-se vivo. Uma nova pesquisa sugere que o hidromel, a bebida de vitalidade dos deuses e guerreiros vikings, era um remédio poderoso nos tempos antigos. E com a ciência, podemos melhorar ainda mais.

“Há algumas centenas de anos, as pessoas só viviam até os 30 ou 40 anos”, disse Tobias Olofsson. Ele é microbiologista da Universidade de Lund, na Suécia, ao Gizmodo. “Se você tivesse algo para prevenir infecções, você poderia viver muito mais tempo.”

O hidromel ajuda a combater doenças?

Olofsson acredita que esse algo era hidromel. Sua pesquisa inovadora mostra que bactérias encontradas naturalmente no mel podem combater algums das mais duras infecções resistentes a drogas. Agora, através de sua startup, a ConCellae, ela lidera esforços para desenvolver um hidromel probiótico com as mesmas propriedades medicinais.

As primeiras evidências arqueológicas para a produção de hidromel datam do século 7 a.c. na China. Mas alguns especialistas acham que a humanidade já se inebria com mel desde muito tempo antes. “Pessoalmente, acredito que os humanos sabem como fermentar méis desde que deixaram a África”, disse Ken Schramm. Produtor de hidromel que escreveu o guia moderno definitivo sobre o vinho de mel, ao Gizmodo. Schramm, junto com muitos arqueólogos, especula que nossos ancestrais caçadores-coletores descobriram acidentalmente o hidromel, ao degustar mel fermentado em colmeias, ou adicionando mel a frutas podres como conservante.

Vida longa ao hidromel!

Embora as origens do hidromel continuem indefinidas, não há dúvida de que nossos ancestrais associaram a bebida a saúde e vida longa. Na Grécia antiga, hidromel era a bebida dos deuses, enviada para a Terra dos céus como orvalho. Diz-se que Odin, o deus nórdico da cura e da batalha, ganhou força ao sugar o hidromel de uma cabra quando bebê. E os guerreiros vikings que alcançaram Valhalla seriam recompensados ​​com lotes de hidromel, entregues por lindas donzelas. “Foi o líquido que deu vida em todo o mundo antigo”, disse Schramm.

Mas não foi recentemente que os pesquisadores começaram a se perguntar se a nossa antiga obsessão pelas propriedades curativas do hidromel poderiam ter uma base científica.

Bebida viva

É aí que entra a pesquisa de Olofsson. Na última década, ele vem estudando uma coleção de microorganismos – as chamadas “bactérias do ácido láctico”, ou LABs – que vivem dentro dos estômagos das abelhas, estômagos especiais dedicados à coleta de néctar. Essas bactérias são fábricas vivas de medicamentos, expelindo um conjunto de compostos antimicrobianos que atacam e matam patógenos. Em 2014, Olofsson publicou um estudo mostrando que o mel inoculado com treze LABs poderia tratar feridas crônicas e resistentes a antibióticos em equinos. No laboratório, o mesmo coquetel microbiano elimina patógenos humanos mortais, incluindo a MSRA notoriamente resistente a medicamentos.

“Foi realmente incrível descobrir essas bactérias”, disse ele. “Cada uma carrega armas especiais e juntos são muito fortes”.

Mas os LABs não são encontrados apenas nas abelhas. Eles desempenham um papel fundamental na maturação do próprio mel. “Para produzir mel a partir de néctar, as abelhas precisam reduzir o teor de água, o que leva de dois a três dias”, disse Olofsson. Durante esse tempo, as abelhas regurgitam o néctar, inoculando-o repetidas vezes com suas bactérias intestinais. “Se não fosse pelas bactérias, o mel estragaria na colmeia em apenas algumas horas”, acrescentou Olofsson.

Ciência e história

À medida que o mel amadurece e seu teor de água cai abaixo de 20%, o açúcar e o sal se tornam muito concentrados, e o LAB não pode mais sobreviver. Eventualmente, a colmeia fica com mel maduro e estéril. Mas o mel jovem está carregado com LABs. Assim, de volta aos nossos dias de caça e coleta, é possível que os humanos tenham colhido os benefícios. “Os coletores de mel estavam saindo e pegando mel de árvores que ainda estavam em 25 a 30 por cento de teor de água”, disse Olofsson. “O que eles estavam recebendo era um remédio vivo.”

Além disso, Olofsson suspeita que os antigos coletores de mel involuntariamente fizeram hidromel medicinal através de favos de mel imaturos. “Para retirar todo o mel dos favos, os coletores os colocariam na água”, disse Olofsson. “Depois de um dia ou dois, você tomaria uma bebida alcoólica.”

Produtor degustando a bebida dos guerreiros

Há alguns anos, Olofsson decidiu testar essa hipótese, fazendo hidromel com mel fresco e estudando-o no laboratório. E ele descobriu algo surpreendente: “Descobri que as LABs, passaram de 100 milhões por grama de mel para 100 bilhões para um copo de hidromel”, disse ele.

Uma bebida cheia de bactérias que combatem infecções certamente soa como uma receita para uma boa saúde. Mas não podemos ter certeza sem estudos clínicos cuidadosos. É exatamente isso que Olofsson está fazendo. Escrevendo propostas de subvenção para fazer os testes.

“Começamos a aprender com que tipos de armas os LABs lutam há dez anos”, disse Olofsson. “Se você pode encontrar essas substâncias no sangue quando você bebe o hidromel, então podemos realmente confirmar que encontramos a bebida mais potente do mundo.” Naturalmente, ele está se voluntariando como a primeira cobaia medicinal para beber hidromel.

Futuro da pesquisa

Isso soa animador. Mas quando que o resto de nós experimentaremos esse elixir da vida? Como a pesquisa ainda está em um estágio inicial, Olofsson diz que vai demorar um pouco até que o hidromel probiótico alcance as prateleiras. Enquanto isso, ele também começou a fabricar um vinho de mel mais tradicional, que ele espera vender na Suécia ainda este ano.

Além disso, outros fabricantes de hidromel – a maioria dos quais esteriliza seu produto antes de engarrafá-lo – aguardam as provas concretas antes de se animarem demais com a bebida medicinal. “É difícil dizer se pode haver benefícios para a saúde neste momento”, disse Schramm. Mas ele acha a ideia intrigante, e está ansioso para ver onde pesquisa vai levar.

E se os ensaios clínicos forem tão bem sucedidos quanto Olofsson espera? Bem, ele pode ter realmente descoberto como engarrafar a força de Odin. Se isso não é o auge da realização científica, não sei o que é.

Fonte:

https://gizmodo.com/the-drink-of-viking-warlords-could-help-fight-disease-1759503055?utm_medium=sharefromsite&utm_source=gizmodo_facebook&utm_campaign=sharebar

Tradução Livre

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